Uma orelha e uma teoria furada!

Gisele Bündchen postou uma foto em seu instagram que mostrava a orelha de seu bebê de sete meses furada. Foi alvo de muitas críticas, num exemplo nítido de choque cultural.

“A controvérsia foi causada pela orelha furada da menina. O pequeno par de brincos de Vivian foi tema de discussão no programa da TV americana Good Morning America em que mulheres acusaram Gisele de alimentar a própria vaidade ao furar tão cedo as orelhas da filha.” Fonte

A notícia já é velha, eu sei. Mas assim como Gisele foi criticada por outras mães fazendo algo absurdo e egoísta em seus pontos de vista, mas normal e aceito em sua própria cultura, me fez pensar sobre a opressão tão intensa no meio materno.

A verdade é que com esse circo todo quero chegar em um ponto. A forma como os dedos indicadores das mães vivem apontados para frente em direção a outras mães. Deixou chorar? Feia. Só fica no colo? Boba. Não deu beterraba? Bruxa. Pois no andador? Facínora. Ainda não ensinou a ler? Preguiçosa. Já ensinou? Louca. Fez? NÃO-A-CRE-DI-TO. Não fez? Nunca mais essa criança será feliz na vida.

Como julgar uma pessoa, que assim como os costumes, tem educação, sabedoria, interesse, exemplos, apoio e conta bancária (acima ou abaixo) completamente diferente da sua?  Não é justo.

Até porque não é muito chato quando alguém vem dar um pitaco sem noção para cima da nossa maternidade? Por isso nunca sinta-se menos mãe por radicalismos extremos, críticas sem noção e até textos lindos na teoria. Pois só você sabe onde aperta o seu calo. Só você conhece a sua realidade. E ninguém mais do que você quer acertar na educação de seu próprio filho.

Deixe de dormir para fazer um bolo de aniversário (mesmo que despencando de lado) para comemorar mais um ano de vida de seu filho, mas nunca deixe de dormir por um choque cultural que desrespeite suas raízes.

E só para deixar claro, aqui em casa tem orelha furada, parede furada, ideias furadas, camiseta furada e principalmente teorias furadas… ah minhas teorias furadas!

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12 ideias sobre “Uma orelha e uma teoria furada!

  1. Oi Diana! O limite da verdade é tênue demais. Por isso fujo do alvo de fogo dessa sociedade que vive em camisa de força. rs Aqui tem orelha furada e teoria furada também!! Beijo!

  2. Achei o texto raso.
    Também acho o meio materno deveras opressivo, e isso não é bacana, pois afastamos e deixamos de prestar apoio a outras mães.
    Porém, não concordo com orelhas furadas. Te explico, acredito muito na liberdade e no respeito, e acredito que minha filha, mesmo quando era um bebê, era um individuo já com suas opiniões, vontades e quereres. Acho desrespeitoso uma intervenção no corpo dela desnecessária. Como mãe sou responsável, se ela precisa tirar sangue é uma intervenção, porém as vezes é necessário, uma cirurgia também, e coisas assim. Agora eu te questiono o porque furar uma orelha? Porque furar a orelha de um corpo que não é seu? Não somos donos dos nossos filhos, nem da personalidade dele, nem das vontades, nem do corpo dele. Isso também é ensinar consentimento.
    Qual a necessidade de se ter uma orelha furada? Para parecer menina? E qual o problema de não parecer menina? Qual a necessidade de uma criança ser feminina? São questionamentos que na vida materna são necessários fazer. Isso é imposição social, é machismo enraizado. Não é cultural!
    Alias, em alguns lugares é cultural diminuir os pés das crianças para caberem em sapatos minúsculos. É cultural? É. Mas não é por isso que devemos falar “ok, então tudo bem”. Temos o direito e dever de questionar, de sair da zona de conforto, de ter um pouco de senso crítico.

    Hoje minha filha tem três anos, ainda não tem a orelha furada. Mas eu sempre pergunto se ela quer furar e ela não quer – mesmo vendo que eu uso brinco, minhas amigas, as tias dela – mas ela sabe que quando ela quiser eu a levo para furar.

    Eu sei que existe uma enorme opressão no meio materno, e devemos sim combater essa opressão, mas devemos também nos informar, questionar, rever conceitos. Dói. Mas é necessário.

    Um beijo
    Isabela Kanupp
    http://www.parabeatriz.com

    • O texto não defende o furo de orelhas, defende que todas as mães possam fazer o que você está fazendo, educar seus filhos com o que acreditam ser o melhor e correto.
      Questiono diariamente minhas posturas e pensamentos, a maternidade meio que nos obriga a agir dessa forma, mas sempre me vejo seguindo por um caminho onde eu possa aceitar as diferenças não só em gênero, cor de pele e forma de se vestir, mas também em forma de pensamentos.

      Você combate com todo seu senso crítico o machismo enraizado, tem mãe que defende uma alimentação vegana, tem mãe pensa em levar o filho no maior número de lugares do mundo para que ele possa conhecer coisas diferentes. Eu defendo que cada uma assuma a sua própria causa, estabelecida através de suas experiências e formas de ver o mundo.

      O assunto pode até ser raso, tem ligação com vaidade. Mas o tema do texto é respeito, e isso para mim é uma das maiores profundidades que uma pessoa pode ter. É sem dúvida uma das coisas que eu mais gostaria de ensinar aos meus filhos.

      Obrigada Isabela, por me fazer pensar ainda mais sobre isso!
      Bjs e até mais

  3. Adorei. Tem muitas coisas que nós decidimos pelos pequenos, a cor da roupa, o tamanho dela, os sapatos, e coisas assim. Se fosse tudo sempre levado ao pé da letra, seria errado cortar os cabelos das crianças, pois na maioria das vezes eles não querem, e isso é uma intervenção na vida de outra pessoa, por pura vaidade. Ser mãe é isso, decidir o melhor pela pessoa que você tanto ama e quer bem.
    Te admiro como pessoa, mas principalmente como mãe.

  4. O primeiro furo nas minhas orelhas ocorreram alguns dias após o meu nascimento. Com as minhas irmãs não foi diferente. Aos sete anos pedi para minha mãe fazer um segundo furo. Isso gerou um bafafá daqueles na escola onde eu estudava, falavam pelas costas, como sempre fazem, e ninguém teve coragem de peguntar para minha mãe porque ela tinha feito isso. É muito fácil arremessar pedras nas janelas alheias.

  5. Adorei!! Acredito que as mães (biológicas e do coração) fazem (tentam) o que é melhor para seus pequenos… Temos até o direito de errar pq são nossos filhos e a relação cresce e melhora a cada dia. Tenho uma filha e furei a orelhinha pq acho bonito, mas se minha filha não quiser usar mais quando crescer é o direito dela, afinal, já terá discernimento para tomar decisões… Por ora as decisões ficam a cargo dos pais e se elas não foram boas será um assunto a ser discutido com eles no futuro e isso é inevitável.

    Ps.: Conheci seu blog hj e estou encantada. Parabéns!!!

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