Vamos brincar lá fora?

A ideia nesse post não é ensinar a fazer um brinquedo com material reciclável ou atividade manual educativa, mas tentar instigar as pessoas a brincar mais.

Neste nosso mundo atual, dinâmico e tão repleto de tecnologia é muito comum se deparar com comentários sobre como a infância era feliz há 10, 20 ou 30 anos atrás, sem celulares, tablets, acesso ultra rápido à internet, vídeo game, TV por assinatura, Youtube, etc.




Mas por aqui sempre acreditamos que o novo pode dividir o espaço com o antigo sem o menor dos traumas. Se muitas crianças de hoje não brincam com brinquedos simples e optam muito mais pelo XBOX que por uma partida de futebol no campinho ou por uma tarde toda correndo, rindo e se sujando, nós os adultos temos grande parte da responsabilidade.

Pois estamos sempre tão cheios de compromissos e com tantos projetos pessoais e profissionais que é mais fácil manter as crianças distraídas que reservar tempo para criar, brincar junto e divertir-se de verdade com eles.

Então desta vez resolvi não ensinar um passo-a-passo, mas incentivar os pais a dar um passo muito importante no convívio com seus filhos.

Saia de casa no domingo com a família e “esqueça” o celular em casa, construa um brinquedo, corra, canse, se suje, participe com eles nas brincadeiras como gostaria que seus pais tivessem brincado com você. Isso fará você se sentir melhor e irá gerar momentos que jamais serão esquecidos por eles.

Deixamos aqui uma ideia bem simples, fácil de fazer e que irá divertir os pequenos e os grandes que estiverem por perto: Perna de pau.

Brincando com perna de pau

Brincando com perna de pau

Brincando com perna de pau

Brincando com perna de pau




brincando-com-perna-de-pau-----

Brincando com perna de pau

Faça piões de papel para seu filho e volte um pouquinho no tempo

Há quem diga que as brincadeiras antigas estão esquecidas e que hoje as crianças só querem saber de internet, computador e vídeo game. Mas aí eu pergunto: Quais são as opções que damos a eles?

Experimente resgatar algumas brincadeiras e em volver seus filhos nelas, coisas simples e divertidas que que deixarão marcas na infância, a começar por sua participação nas brincadeiras deles.

Que tal fazer um brinquedo clássico e que diverte muito? É bem simples para fazer, usa pouco material e não exige nada de técnica. Estamos falando dos velhos piões, e podemos fazer alguns ótimos usando apenas cartolina, cola branca e palitos de churrasco.

como-fazer-um-piao-de-papel----

  • Corte 6 tiras de cartolina com aproximadamente 1 cm de largura (opte por cores diferentes para ficar mais atrativo);

como-fazer-um-piao-de-papel---

  • Corte o palito de churrasco com cerca de 6 a 7 cm mantendo a parte com a ponta;
  • Passe cola branca em uma tira de cartolina e cole ao redor do palito começando bem próximo a ponta;
  • Vá enrolando a cartolina no palito e a cada volta suba um pouquinho a cartolina;

como-fazer-um-piao-de-papel--

  • Faça o mesmo com todas as tiras, sempre subindo um pouquinho a cada volta. A cartolina irá tomando a forma de um cone;

Como fazer um pião de papel

  • Quando colar a última tira, basta esperar secar bem e começar a brincadeira.

Fazendo dois ou mais a brincadeira fica mais divertida fazendo competição para ver qual pião fica mais tempo girando!

Sempre que possível reserve um tempo do seu dia para criar coisas com seus filhos e deixe a eles lembranças de uma infância feliz e divertida.

Bernardo e a pequena caixa de memórias

Tá certo que dos 7 anos até a minha idade atual existe um GRANDE espaço de tempo, mas as memórias que guardo da minha infância são muito vagas, um pouco é pela deficiência que tenho em manter as lembranças vívidas por muito tempo, mas também dado as condições da época, os artifícios que poderiam avivar a memória são muito escassos, poucas fotos, nenhum objeto guardado e ainda o distanciamento do local origem.

Pensando nas minhas poucas lembranças e no anseio de colaborar para que meus filhos possam manter mais intensas suas lembranças, resolvi fazer uma caixa de memórias para o Bernardo.

Pegamos uma caixa de papelão simples e colocamos ali coisas com as quais ele sempre teve mais apego e outras que são marcas que estarão sempre presentes na vida dele, como a foto com os amigos no primeiro ano, o primeiro sapatinho, medalha, boletim do primeiro ano, enfeite de porta da maternidade feita a mão pelo pai, cheirinho bordado pela mãe, primeiro caderno, primeiro livro e outras coisas mais.

Quando a Natália atingir os seus 7 anos de idade faremos uma pra ela também.

Fazendo uma caixa de memórias




O interesse dele por essa caixa hoje não é dos mais empolgantes, mas como está se encaminhando para os 8 anos de idade já começa a apresentar nuances de adolescência e sabemos que quando ele atingir essa etapa o normal é que vá para um “intracâmbio” e fique alheio aos assuntos familiares por um bom tempo.

Mas é normal também que depois desse período necessário de introspecção, no qual acontecem inúmeras descobertas sobre o mundo e sobre si mesmo, ele volte a se interessar pela família novamente e depois como adulto pode ser muito importante uma caixa com lembranças que facilitem sua reentrada em nossa órbita.

Fazendo uma caixa de memórias

Hoje eu acho que está sendo uma boa ideia, mas conversamos novamente dentro de uns 10 ou 12 anos pra ver o resultado ;)

Criando fantoches com grampos para pendurar roupa

Incentivar as crianças a criar seus próprios brinquedos é algo que, além de despertar a criatividade, desenvolve muitas habilidades. Sempre que possível dispomos do nosso tempo para preparar algo diferente com eles e mesmo quando buscamos na internet ideias que já foram testadas, tentamos deixar o passo a passo de lado e fazer ao nosso modo, criando coisas diferentes, testando outras possibilidades.

E hoje vamos fazer fantoches usando aqueles grampos de pendurar roupas feitos de madeira. E nem precisamos desfalcar a lavanderia, pois um pacotinho com 12 unidades custa pouco mais de R$ 1,00 e o resto são materiais que temos em casa. Nós usamos canetinhas, EVA nas cores branca e preta e colamos com cola quente, mas se você não tiver esses materiais em casa pode usar papel e colar com cola branca mesmo.

Fantoches de grampo de roupa

A ideia é muito simples e com um pouco de criatividade é possível criar os mais diversos tipos de fantoches. Aproveitando a particularidade de abrir de fechar do grampo para dar um efeito de movimento.

Recorte o EVA no formato do fantoche escolhido separando-o em duas partes, pinte com canetinha para fazer os detalhes e em seguida cole um pedaço em cada lado do grampo e ao abri-lo acontece o efeito.

Fantoche de grampo de roupas

Escolha qual fantoche quer fazer e em menos de 5 minutos terá um brinquedo que divertirá por horas. Aproveite a oportunidade e deixe os que pequenos usem sua criatividade criando coisas que eles gostam e permita que participem da confecção.

Fantoches de grampos de roupa

montagem

Este post foi publicado originalmente na Revista Educar – Edição Junho 2015.

Fazendo um vaso divertido com embalagem vazia

Nossa experiência desse mês nos remete a uma atividade que gostaríamos de ter condições de fazer mais com nossos filhos. A vida corrida em meio a agitação da cidade não nos permite lembrar como é importante o contato com a terra e com coisas mais simples.

Aliamos esta necessidade com a atividade de reutilização de materiais e com a aplicação das artes espontâneas do Bernardo e o resultado foi um vaso divertido com cara de um Minion (Ajudante do Sr. Gru do filme Meu Malvado Favorito).

Para fazer precisaremos de uma garrafa de refrigerante de 2,5 ou 3,0 litros, tinta para artesanato amarela e azul e pincéis, terra para jardim, EVA branco e preto, e uma plantinha que se assemelhe a um cabelo ouriçado (usamos uma mini samambaia, mas pode ser até mesmo um pé de cebolinha).

  1. Comece cortando a embalagem um pouco acima da metade;
  2. Faça alguns furos na parte de baixo para que não acumule água;
  3. Pinte toda a embalagem com a cor amarela, pinte mais de uma vez se for necessário;
  4. Depois de seca a tinta amarela, faça a jardineira do Minion com a tinta de cor azul. Aproveite a tinta azul e faça também as tiras dos óculos e a boca dele.
  5. Faça agora três círculos com EVA. Um maior (uns 3 cm de diâmetro) na cor preta, outro um pouquinho menor na cor branca e um terceiro bem pequeno na cor preta para ser a bolinha do olho. Cole-os usando cola quente e depois cole o olho no vaso;
  6. Agora é só encher o vaso de terra e colocar a plantinha que será o cabelo do Minion.

montagem post blog

Agora é só molhar, colocar em um lugar bem especial e ensinar as crianças a cuidar da plantinha. Nós fizemos o Minion, mas você pode variar de acordo com a sua criatividade e com os materiais que tiver a mão, separe uma criança entediada, os materiais, muita disposição e mãos à obra!

Dica: Oriente, mas deixe seu filho fazer ao modo dele. Não tente fazer a coisa mais perfeita do mundo, muitas vezes na intenção de obter o melhor resultado acabamos forçando nossos filhos e o momento que era pra ser agradável passa a ser uma tortura.

Este artigo foi publicado originalmente na edição de maio/2015 da Revista Educar

Ser mãe é… ter seu nome pronunciado 10 vezes em uma mesma frase…

Ser mãe é… ter seu nome pronunciado 10 vezes em uma mesma frase e, além de manter sua paciência, ainda responder com tanto carinho e tanta ternura que não cabe nas palavras.

Nem mesmo em todo tempo como filho eu consegui entender a importância e a relevância de uma mãe na vida de um filho e esta é mais uma daquelas percepções que acredito que não conseguimos ter enquanto filhos, mas que fica muito clara quando temos a oportunidade de enxergar as coisas a partir de outro ângulo de visão.

Em minha posição de feliz figurante (pai) nessa história eu pude perceber o quão importante é a mãe e o quanto suas atitudes influenciam diretamente no presente e no futuro dos filhos. Ao mesmo tempo percebo como é difícil ser mãe educadora, amiga, brincalhona, corretiva, conivente, observadora e ainda ter tempo pra fazer o bolo mais gostoso do planeta, cuidar de sua beleza inigualável, criar e costurar suas próprias roupas, fazer pessoalmente cada detalhe das festinhas de aniversário, vibrar com cada pequeno passo dos filhos e estar preparada para novidades diárias que aparecem com o crescimento dos filhos.

bebê abril - Diana Demarchi_800x533

Aqui em casa temos uma mulher multi-função que arruma tempo (sabe-se lá como) pra todos nós, as crianças da casa, e consegue ser a melhor mãe e melhor esposa do universo.

Gostaria de aproveitar esta data para desejar a todas as mães não só um dia feliz, mas uma vida feliz e repleta das alegrias que só a maternidade consegue proporcionar.

Diana, a cada dia que passa eu tenho mais convicção que você é a avó que eu desejo para os meus netos!

Eu estava ao lado dela o tempo todo, mas senti muita saudade.

Esta semana experimentei um sentimento que eu, embora não queira, acredito que ainda experimentarei muitas vezes em minha vida. Há uma semana atrás a Natália ficou doentinha, com tosse, vômito e febre. Ela já está bem melhor e fico muito feliz em ver ela brincando e sorrindo de novo.

Mas o dodói dela não é exatamente o assunto que quero abordar. Já disse aqui em outro post que me orgulha o fato da primeira frase dita por ela ter a palavra “papai”.

Sim, isso mesmo. Ela olhou pra mim e disse “Não, papai.”

Ela não é de ficar de muito grude comigo e eu respeito muito isso. Na verdade quando eu chego em casa eu dou um beijo em todo mundo e deixo ela por último pra ver se vou conseguir, mas raramente ela deixa sem reclamar e algumas vezes deixa muito claro que não é pra eu chegar muito perto. É, eu deveria estar acostumado com isso, e realmente achei que estava, só que não estou.

Fazendo bolhas de sabão com a Natália

Esta semana que passou, com ela doentinha desse jeito, a sensibilidade aumentou muito e todo esse sentimento foi potencializado e eu confesso que senti ausência dela. Enquanto a Diana, com os braços dormentes, já não aguentava mais carregar ela pra lá e pra cá e acordar no meio da noite pra embalar e ajudar a dormir, eu ficava ali tentando ajudar com atividades secundárias que não envolvessem nenhum contato direto, pois se ela abrisse os olhos e visse que era eu que estava cuidando dela, ai, ai, ai…

Em resumo, foi uma semana sem praticamente nenhuma aproximação, nenhum abraço, sem pegar no colo, sem um cheirinho, sem poder dar um beijo e confortar ela quando estava se sentindo mal.

Ontem a noite, com ela já bem melhorzinha, saímos pra passear e ela veio no meu colo, me abraçou, passeamos e nos divertimos. Foi aí neste momento que eu tomei consciência da falta que ela havia me feito nesses dias e percebi o quanto é importante buscar uma aproximação lúcida com os filhos, sem ilusões, sem devaneios, sem chantagens, sem amarras, sem culpas e sem forçar a barra em nenhum momento.

Pois tão rápido quanto eu nem posso imaginar a Natália e o Bernardo estarão saindo pela porta pra estudar fora, viajar, fazer intercâmbio, namorar, casar, constituir família e viver longe.

E aí eu me pergunto: Quem vai me devolver esse amor incondicional que eu doei a eles durante todo esse tempo?

E aí eu mesmo respondo: Esse amor incondicional não era meu, eu recebi dos meus pais e estava guardando pra eles. E eles entenderão muito bem isso quando tiverem seus próprios filhos.

Você quer ser o melhor? Por quê?

  • Você não é melhor porque escreve livros, poesias, elabora lindos textos e entende muito de língua portuguesa.
  • E também não é melhor que ninguém por falar outros idiomas, ter visitado outros países e ter vivido experiências únicas.
  • Você não é melhor que ninguém porque gosta de andar a cavalo, gosta de coisas simples, do interior e não se deixa impressionar por modernidades.
  • Não é melhor que os outros porque é um atleta, corre, anda de bicicleta, se dedica muito, só come comida saudável e tem uma saúde de ferro.
  • Você não é melhor porque tem dinheiro no banco, um trabalho importante, uma casa na praia, um carro bacana e anda cheio de amigos.
  • Não é melhor por pagar suas contas em dia e ser organizado com suas finanças.
  • Não é melhor porque é inteligente.
  • Você e seu carro importado não são melhores que a pessoa que cuida do estacionamento.
  • Sua percepção é mais apurada e você consegue compreender melhor a vida, mas isso não te faz melhor que os outros.
  • Não é melhor que as demais pessoas porque é músico, porque é seletivo nos gostos e se acha cult.
  • Ser corajoso e se arriscar como poucos fariam não faz de você melhor que ninguém.
  • Você não é melhor que o seu vizinho porque você recicla o lixo e respeita o meio ambiente.
  • Você não tem o direito de achar que é melhor que as pessoas que não vão a missa todo domingo como você faz.
  • Você não é nada mais que os outros só pelo fato de ser um médico com especialização, mestrado e doutorado.
  • Você não é mais que os outros porque se formou como advogado e passou com a melhor nota da turma.
  • Você não é melhor que os demais porque foi o primeiro no concurso público.
  • Não, você não é superior porque entende de matemática, física e tem a capacidade de estudar que muitos não tem.
  • Não, sua força não te faz superior aos outros.
  • Ser educado, não falar palavrões, não ter nenhuma tatuagem e nem piercings não te faz melhor que ninguém.
  • Você não é melhor que os outros por causa de suas escolhas e suas preferências.
  • Você pode não jogar seu lixo no chão e recolher todo lixo que encontrar, mas ainda assim não será superior ao varredor de rua.
  • Você não é melhor que ninguém por ser um exímio lutador de artes marciais.
  • Também não é melhor que ninguém por ser um ativista da paz e viver em harmonia com tudo e com todos.
  • Você entende de informática e assemelha-se a um gênio, mas não é melhor que ninguém por causa disso.
  • Suas habilidades para salvar vidas em situações de perigo são louváveis, mas isso também não te faz melhor que ninguém.
  • Ser policial e ter poder para estabelecer a ordem pública tampouco é capaz de fazer uma pessoa superior a outra.
  • Você não é melhor que ninguém por ser bonito, elegante e bem vestido.
  • Você não é melhor que os outros porque está casado e tem uma família dentro dos padrões.
  • Você não pode se sentir mais que outras pessoas por ser filho de pais que nunca se separaram.
  • Você não tem mais valor que as pessoas que não pensam como você.
  • As pessoas que não acreditam nas mesmas divindades que você acredita não são inferiores a você.
  • Você não é mais importante que o garçom que te serviu o jantar.

Enfim, nada daquilo que você é ou faz te deixa melhor que os outros.

Se quiser ser melhor que alguém, seja melhor que você mesmo. Observe aspectos que te desagradam nas demais pessoas e melhore isso dentro de você.

Todo dia é dia de índio

Se tem uma coisa que é garantia de muita diversão e horas de distração com a filharada é a cabaninha feita com cadeiras, cobertas, travesseiros e tudo mais que estiver a mão. De vez em quando fazemos isso por aqui e, se não olharmos pelo lado da bagunça, é sempre muito divertido. Mas dessa vez resolvemos fazer algo mais elaborado.

Este é um projeto que estava em nossos planos há muito tempo e que agora conseguimos realizá-lo. Trata-se de uma daquelas tendas usadas por índios norte-americanos e que além de muito divertida ainda permite extravasar a criatividade da criançada.

Para fazer a tenda seguimos os seguintes passos:

1º) Juntamos 5 barras de cano PVC com 2 metros cada uma, cordinha de sisal, barbante para costura a mão, tintas coloridas, 2,50 metros de tecido de algodão cru e muita disposição;

construindo-uma-tenda-de-indio-1

2º) Unimos as cinco barras de cano e amarramos cerca de 20cm em uma das extremidades;

3º) Armamos a estrutura da tenda e marcamos com um giz o local amarrado. Observe que ao armar a estrutura as extremidades ficarão com tamanhos diferentes. Nós usamos o pirógrafo, perfuramos e passamos a cordinha para unir as barras;

Construindo uma barraca índigena

4º) Depois cortamos o tecido em forma de triângulo conforme a estrutura armada e costuramos um pedaço ao outro;

Construindo uma barraca índigena

5º) Com o tecido já montado amarramos a tenda na armação deixando uma porta;

6º) Por último fizemos alguns detalhes com a corda de sisal pra ficar mais rústico e as crianças deram o toque final pintando as paredes!

construindo-uma-barraca-indigena-4

E depois é se preparar para muito tempo de diversão, dentro de casa, na praça, no parque, na casa da vovó e onde mais tiver vontade!

Este artigo foi publicado na Revista Educar (abril 2015).

Está decidido. Eu quero ser um pai independente…

Nós criamos os filhos para o mundo (Falar é fácil, quero ver na prática).

O Bernardo está com 7 anos e, ao contrário da Natália, sempre foi menos independente, quer sempre a gente por perto e, embora seja capaz, prefere depender de ajuda para fazer a maioria das coisas, essa é uma característica da personalidade dele e nós tentamos respeitar o seu tempo de amadurecimento. Mas essa semana ele apresentou dois rompantes que, de leve, me fizeram pensar nas coisas que ainda virão.

Já faz algum tempo eu fiz um tênis em papelão para que ele aprendesse a amarrar os sapatos sozinho, ele treinou e aprendeu, mas sempre dá um jeitinho de pedir ajuda, alega que é difícil, que está cansado, com sono, etc, etc, etc. Mas me surpreendeu em uma manhã dessa semana quando eu vi que ele já havia amarrado os sapatos sozinho, sem as costumeiras pressões que faço pra ele se arrumar e no mesmo dia ao chegar na escola saímos do carro e ele disse – “Pode deixar que eu vou sozinho, já estou bem grandinho.”

Na hora eu pensei: “Como assim? Você depende de mim pra se cuidar menino. Você acha que pode fazer essas coisas, mas não pode Nemo, oopps… Bernardo.”

Imagine só, o carro fica estacionado há no mínimo uns 100 metros da escola e ainda tem que atravessar uma rua onde os carros andam a pelo menos uns 20 Km/h. É um absurdo ele querer ir sozinho, não acham?

bernardo-escola-cinza

O que acham que eu fiz? Deixei ele ir sozinho, é claro. Depois de ajudar ele a atravessar a rua e quando estava há uns 20 metros do portão.

E neste momento eu percebi o quanto ‘EU’ sou dependente. Isso mesmo, considerar que os filhos são dependentes dos pais é um auto-engano, é algo em que nos apegamos e tentamos acreditar enquanto podemos, mas inevitavelmente a inversão se dará em um tempo bem mais curto que esperamos. Os sentimentos que se tem por um filho são inexplicáveis e o desejo de tê-los em baixo das nossas asas por toda a vida existe e é inegável, mas eles crescem, se tornam independentes e, além de tudo isso, têm vida própria. E a casa cheia, bagunçada, barulhenta e repleta de choros e risadas em muito pouco tempo se transforma em uma residência organizada, silenciosa, sem disputas por atenção e por aparelhos eletrônicos, mas com tendência a se tornar oca, vazia e sem graça.

Aí vê-se e confirma-se a importância de ter alguém ao seu lado que monitore seu envelhecimento e que ao te ver de óculos diga “Nossa, você está parecendo um senhorzinho.” E que ajude a preencher todos os espaços que possam ter ficado vazios com a independência e o inevitável distaciamento dos filhos.

E ao perceber isso eu decidi que pretendo ser um pai totalmente independente. E quando o Bernardo e a Natália estiverem com seus 25 e 30 anos e já puderem sair sozinhos a noite com os amigos eu prometo que não vou ficar sem dormir até que eles voltem pra casa.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...