Em frente ao caixa 5 eu sentei e chorei – Parte II

Esse é um conto escrito em partes semanalmente.

Acompanhe lendo a parte I

Escolho ir ao mercado em um horário de pouco movimento, não gosto de encontrar pessoas conhecidas que vem contar detalhes trágicos de mortes e anomalias em crianças de histórias escabrosas que conhecem. Estudos indicam que a falta de noção aumenta quando algumas pessoas chegam perto de grávidas no estágio final. Vai entender…

Mas como tudo pode ser muito pior do que se espera, encontro aquela minha arquiinimiga dos tempos de faculdade. É plena segunda de manhã, mas ela está maquiada e com aquele salto poderoso sem nenhum risco visível, acho que ela até lustra, só pode.

Pensei em usar aquele método do desmaio simulado. Não estou brincando. Se eu desmaiasse, todos iriam me socorrer e até os bombeiros chegarem, ela já teria ido embora. Tudo para evitar o encontro. Mas não fiz, meu esposo já tinha me ameaçado a esse respeito, falou que se eu ficasse desmaiando por aí, talvez acabasse viúva antes de parir.

Tudo bem, ao invés disso tentei esconder o máximo possível meu soutien de alça larga bege e me preparei para sorrir.

-Oi, você está grávida?

Desisti de sorrir, me preparei para desmaiar mesmo, talvez ela até fosse presa, né?

-Estou, estou sim…

-Nossa, que corajosa! Faz dois meses que uma amiga minha perdeu gêmeas! Primeiro morreu uma, a que nasceu menor. E a outra, quando acharam que estava melhorzinha uma enfermeira derrubou do colo e espatifou a cabeça da menina no chão. Claro que a história que contaram para a mãe foi outra e blá blá blá…

Realmente, tudo pode ficar pior! Quando consegui me despedir, mesmo que de forma não muito educada, já sabia o suficiente da história para ter pesadelos durante as próximas semanas de gravidez. Isso nas ralas horas que eu ainda conseguia dormir tão profundamente a ponto de ter algum tipo de pesadelo.

Comprei tudo que precisava. Além de um carregamento de Nutella, e fraldas descartáveis. Me imaginar com um carrinho infantil, cheio de um bebê sorridente e banguela me fazia sentir feliz. Nesse instante a barriga pulou, era como se o bebê entendesse meus pensamentos.

Na saída, ainda no caixa preferencial, pude ver a sem noção, que sorriu e abanou. Vá, vá sua bocaberta. comer alface, lustrar os saltos do sapato e ter lindos sonhos! Idiota! O bebê pulou novamente, acho que me dando apoio!

Segui em frente, a lista de afazeres ainda era longa, e meu melhor chinelo de dedo estava começando a apertar.

Continua na próxima semana!

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