Como ser pai sem deixar de ser marido

“O amor é o fogo que arde sem se ver” (Luís Vaz de Camões)

O primeiro olhar, a descoberta e a indução de afinidades, a vontade de estar perto, a fala delicada, o respeito e a admiração, o interesse por assuntos um do outro e tantas outras características podem descrever o início de uma paixão. Que logo em seguida se torna o primeiro beijo, as mãos dadas na rua, encontros diários, telefonemas e e-mails constantes. Apaixonar-se, estar constantemente enamorado, com frios na barriga quando recebe um telefonema, cedendo às vontades um do outro e sentindo pontas de ciúme que causam sensações gástricas e nos faz perder o apetite. A paixão causa sensações inexplicáveis e por muitos é considerada a melhor parte de um relacionamento. Sim, é muito bom e é uma época que deixa profundas saudades, mas em minha opinião é apenas uma fase preparatória que antecede o nascimento de um amor verdadeiro e se nos prendemos àquela paixão expressada lá no início não conseguimos perceber aspectos que tornam um relacionamento verdadeiro e acabamos iniciando um processo de cobranças, críticas e consequentes afastamentos.

Comparo isso a um jogo no qual você já passou pela primeira fase, mas continua tentado jogar da mesma maneira, lembrando como era boa e fácil a fase inicial. Assim, com todo este saudosismo acaba não prestando atenção em detalhes muito importantes e acaba estancado na segunda fase, te levando a desistir desse jogo e te induzindo a iniciar outro.

Vejo que é necessário entendermos que, por melhor que seja, a fase inicial passa e não volta mais. A paixão que ressecava os lábios dá lugar ao desenvolvimento do amor, aquele que “arde sem se ver”, e nos cabe perceber isso e viver o momento, pois existe movimento constante e não foi só o relacionamento que mudou. Ambos  mudamos, o mundo ao nosso redor mudou, as perspectivas financeiras e as responsabilidades mudaram. E o mais importante, temos pingos de gente entrando em nossas vidas. Antes eram apenas dois, saídas para jantar eram mais fáceis, tomar vinho assistindo filme até tarde era possível, a paciência era maior, o sono era mais tranquilo, viajar de carro não dependia da vontade de terceiros (ou quartos), não havia fraldas pra trocar e nem despesas com elas. E pra completar eu poderia dizer que a mãe é, em tempo integral, um ser extremamente tolerante, incansável e compreensivo, mas a esposa não.

Ser pai sem deixar de ser marido é um desafio muito grande e só é possível quando temos ao nosso lado alguém com quem é possível conversar, rir, desabafar, dividir alegrias e tristezas, fazer planos, etc. Alguém com quem você sente vontade de ir além, passar todas as fases do jogo e, de mãos dadas, ir até o fim.

Eu sou feliz porque tenho plenas condições de ser pai sem deixar de ser marido, pois tenho ao meu lado alguém com quem posso contar em todos os momentos. Só não sei se estou conseguindo… será que estou?

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