A super compensação da culpa.

Depois que engravidamos (eu carrego a criança, mas toda a família está gestando…), começamos um processo natural de super compensação para o Bernardo, como se o menino estivesse prestes a passar por um trauma terrível!

O menino aprendeu rapidinho a conviver com essa nova realidade, onde alguém trazia um paninho de boca para o neném e um brinquedo para ele, entre outras coisas que começaram a ser feitas especialmente para ele, para que não tivesse ciúme de um feto de 5 cm.

Quando percebi, estava voltando para casa com uma criança choraaaaaando porque queria uma pista nova naquele dia, naquela hora. E eu naquela insegurança de achar que era porque estava sentindo a mudança eminente e tals…

Então me dei conta. O menino não estava reagindo a gravidez, estava reagindo as nossas ações. Estava fazendo o que todo mundo esperava dele. Estava ficando manhoso e birrento. Estava tendo ataques de choro. E estava se acostumando a ganhar o que quisesse, a hora que quisesse, porque né, ele iria sofrer…

Quando eu e meu esposo chegamos a essa conclusão, o que não foi um click claro e instantâneo, começamos a mudar a nossa forma de lidar com a situação. O resultado? O menino voltou ao seu normal. Voltou a ser doce e ter paciência. Voltou a entender que pistas são presentes de aniversário. E começou a aproveitar a espera do neném.

E aí nós nos surpreendemos com suas reações. Bernardo está curtindo a gravidez. Não se interessa em nada por roupinhas e sapatinhos, nem para curtir, nem para ficar olhando de longe a nossa curtição, simplesmente ignora. Mas curte muito as histórias que eu conto para ele, de como será trocá-la, e levá-la para passear. De como nossa vida vai mudar, e como ela vai ficar feliz quando ele chegar. Sempre é carinhoso com a barriga. Sempre inclui a menina em nossos planos. Espera ansioso pelo dia que a gravidez atingirá o número nove no seu livrinho, e enfim sua irmã esteja pronta para chegar ao mundo.

Se ele vai sentir a sua chegada? Acredito que sim. Eu ainda lembro de como me senti quando nasceu minha irmã. Mas o que eu, como adulta da relação preciso entender, é que não posso prever e me antecipar a esses fatos. Correndo o risco de piorar as coisas. Correndo o risco de rotular tanto um sentimento a ponto de interferir na ordem natural de amadurecimento de uma relação que irá se construir.

Difícil a gente ver um filho crescendo e permitir que ele cresça. A vontade sempre é interferir, remediar, colocar na barra da saia e sofrer por ele. O problema é que a gente tenta sofrer por ele sofrimentos que talvez não existam, e que se existirem, tem um papel fundamental para o desenvolvimento saudável e formação do filho alto, bonito, e cheio de caráter que a gente sonha!

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